sábado, 31 de janeiro de 2026

Cidadania ativa: Como a sociedade civil pode fazer a diferença (e evitar erros comuns)





No Blog Fique Atento, acreditamos que a força de uma sociedade reside na capacidade de seus cidadãos de se engajarem ativamente na defesa de seus direitos e no combate a injustiças. A cidadania vai muito além do voto; ela se manifesta na vigilância constante, na participação em debates e, crucialmente, na mobilização contra fatos e decisões que prejudiquem a coletividade – seja em nosso bairro, município, estado, país ou até mesmo o planeta. 



Fortalecendo a voz coletiva: O poder da organização 


Um dos caminhos mais eficazes para o exercício da cidadania é o fortalecimento por meio da organização. Associações de bairros, centros comunitários, ONGs, fundações e a filiação a partidos políticos são estruturas que amplificam a voz individual, transformando-a em um coro poderoso. Ao unir esforços, as comunidades ganham representatividade e capacidade de influenciar decisões, defender interesses e promover o bem-estar coletivo. 


Mais importante ainda é a participação ativa nas atividades democráticas de defesa dos direitos humanos. Isso significa estar presente em audiências públicas, participar de conselhos municipais, estaduais e federais, e se manifestar pacificamente contra abusos e ilegalidades. A democracia se fortalece quando seus cidadãos se sentem parte dela e agem para protegê-la. 



Transformando indignação em ação: O caminho da denúncia efetiva 


Muitas vezes, a boa intenção de denunciar irregularidades esbarra na falta de conhecimento sobre os trâmites e requisitos formais dos órgãos públicos. Uma denúncia mal formulada, mesmo que legítima em seu conteúdo, pode ser inadmitida, gerando frustração e a sensação de impotência. Para evitar que isso aconteça, é fundamental entender as "regras do jogo". 



Lições valiosas da conselheira Ann Pontes (TCM-PA): O que fazer e o que não fazer 


                                                                                   Foto Gabriel Moreira/ASCOM-TCMPA
                                            A conselheira Ann Pontes esclarece sobre os requisitos de                                                       admissibilidade de uma denúncia ao Tribunal de Contas




A decisão monocrática da conselheira Ann Pontes, do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCMPA), oferece um guia prático sobre os requisitos de admissibilidade de uma denúncia. Analisando o caso da "ASSOCIAÇÃO DE MORADORES PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIO-ECONÔMICO DE CASA DE TÁBUA", podemos extrair valiosas lições: 



O que fazer ao protocolar uma denúncia: 


1 - SEJA CLARO E OBJETIVO: A denúncia deve ser redigida de forma compreensível, sem rodeios, focando nos fatos. 


2 - IDENTIFIQUE-SE CORRETAMENTE: Indique seu nome completo, qualificação (profissão, etc.) e endereço. Se for uma pessoa jurídica (associação, ONG), comprove sua existência regular (CNPJ, estatuto social) e a habilitação do signatário para representá-la (ata de eleição, procuração). Anexe cópia autêntica de documento de identidade e comprovante de endereço. 


3 - FORNEÇA INFORMAÇÕES DETALHADAS: Descreva o fato, a autoria (quem cometeu a irregularidade), as circunstâncias (como, quando e onde ocorreu) e os elementos de convicção (por que você acredita que aquilo é uma irregularidade). 


4 - ANEXE OU INDIQUE PROVAS: Não basta apenas afirmar. Apresente provas documentais, fotos, vídeos, depoimentos, ou indique onde essas provas podem ser encontradas. Indícios robustos são cruciais para a admissibilidade. 


5 - ASSINE A PETIÇÃO: A ausência de assinatura e a identificação do responsável legal, no caso de pessoa jurídica, são falhas formais graves. 



O que não fazer ao protocolar uma denúncia: 


1 - NÃO SEJA GENÉRICO: Afirmações vagas sobre irregularidades sem detalhes concretos dificultam a apuração. 


2 - NÃO DEIXE DE SE QUALIFICAR COMPLETAMENTE: A ausência de dados de identificação, especialmente para pessoas jurídicas, levará à inadmissibilidade. 


3 - NÃO APRESENTE DENÚNCIA SEM PROVAS OU INDÍCIOS: Sem elementos objetivos que corroborem as alegações, o órgão público não terá base para iniciar uma apuração específica. 


4 - NÃO DEIXE DE ASSINAR: A assinatura é um requisito formal essencial, especialmente quando a denúncia é feita por uma associação. 



Onde buscar mais informações e apoio: 



Além dos Tribunais de Contas, outros órgãos são fundamentais para a defesa do cidadão e a fiscalização da administração pública: 


1 - PROMOTORIAS E DEFENSORIAS PÚBLICAS: Atuam na defesa dos direitos difusos e coletivos, bem como na assistência jurídica gratuita a quem precisa. Seus sites geralmente oferecem guias e informações sobre como fazer denúncias e representações. 


2 - IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis): Para denúncias relacionadas a crimes ambientais e infrações ambientais. 


3 - PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor): Para denúncias e reclamações sobre relações de consumo. 


4 - OUVIDORIAS PÚBLICAS: Praticamente todos os órgãos públicos possuem ouvidorias, canais diretos para que o cidadão possa apresentar sugestões, elogios, solicitações, reclamações e denúncias. 



Conclusão: Seja um agente de mudança 


A inadmissibilidade de uma denúncia por falta de requisitos formais, como vimos, não significa que a irregularidade não possa ser apurada por outros meios, como as auditorias de rotina. No entanto, uma denúncia bem fundamentada e formalmente correta acelera o processo e direciona a atenção dos órgãos fiscalizadores de forma mais eficaz. 


Exercer a cidadania ativa é um direito e um dever. É por meio da participação organizada e informada que a sociedade civil se torna uma força inestimável na construção de um futuro mais justo e transparente para todos. Não basta reclamar; é preciso agir, e agir da maneira certa. O Blog Fique Atento incentiva você a se organizar, se informar e a ser a mudança que queremos ver!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O colapso do espaço urbano: Por que Belém precisa de um Sistema de Estacionamento Inteligente?

 




A Região Metropolitana de Belém (RMB) caminha para um gargalo de mobilidade que exige mais do que simples obras de asfalto; exige gestão tecnológica e coragem política. Dados recentes do Detran-PA mostram que a frota do Estado fechou 2025 com expressivas 2,98 milhões de unidades. Desse total, quase 700 mil veículos circulam apenas na capital e arredores, com um crescimento anual de 6,7%.


O fenômeno é claro: houve uma migração em massa. Se há 15 anos os ônibus transportavam 1,2 milhão de passageiros diariamente na RMB, hoje esse número caiu para 850 mil. A população não diminuiu; ela apenas trocou o transporte coletivo pelo individual. Atualmente, automóveis e motos compõem mais de 90% da frota, geralmente transportando apenas uma pessoa: o condutor.



O DESAFIO DO CENTRO HISTÓRICO E ADMINISTRATIVO


Belém concentra a geração de empregos e serviços no setor terciário em suas áreas centrais. Contudo, o que vemos é uma escassez crítica de vagas. Em áreas onde funcionam órgãos como o Ministério Público, a ALEPA e o Tribunal de Justiça, a oferta de estacionamentos privados não supre sequer 5% da demanda.


O resultado? O espaço público acaba sendo "privatizado" de forma desordenada. Um veículo que estaciona às 7h e só sai às 17h retira a rotatividade necessária para o comércio e serviços. É nesse cenário que surge uma proposta técnica e viável, defendida pelo psicólogo Carlos Valente, especialista em Psicologia do Trânsito.


A SOLUÇÃO: TECNOLOGIA E INCLUSÃO SOCIAL


A proposta do Blog Fique Atento, endossada por especialistas, sugere a conversão de imóveis abandonados e terrenos baldios em estacionamentos públicos e áreas de convivência. Mas o projeto vai além da infraestrutura física.


Um estudo detalhado, idealizado originalmente em 2020 por Carlos Valente, prevê a criação de cerca de 8 mil vagas regulamentadas via licitação. O modelo, inspirado em Smart Cities (Cidades Inteligentes), utilizaria:


  • 1 - MONITORAMENTO DIGITAL: Integração com Google Maps para visualização de vagas livres em tempo real.


  • 2 - RESERVA VIA APLICATIVO: O motorista reserva a vaga, paga digitalmente e o totem físico no local sinaliza a ocupação.


  • 3 - ROTATIVIDADE: O sistema impede que uma única pessoa ocupe a via pública o dia inteiro sem a devida contrapartida.



BRAÇO SOCIAL

O fator humano: Transformando o "flanelinha" em agente de gestão


Um dos pontos mais inovadores do projeto é o braço social. Em vez de marginalizar os guardadores de carro (os "flanelinhas"), a empresa licitada os absorveria para atuar na gestão e fiscalização, vinculados a uma associação específica. Eles deixariam de manusear dinheiro direto dos motoristas — o que aumenta a segurança — e passariam a integrar um sistema formal de trabalho.



POR QUE O PROJETO AINDA NÃO SAIU DO PAPEL?


Apesar de não gerar custos para o Município e ainda prever o repasse de um percentual da arrecadação para a Prefeitura, barreiras políticas e a resistência de grupos que controlam as ruas de forma informal impediram o avanço em gestões anteriores.


Em cidades como Curitiba e São Paulo, modelos de "Zona Azul Digital" já provaram que a organização do estacionamento reduz o trânsito em fila dupla e melhora a fluidez nas vias arteriais. Belém, com seu trânsito classificado como caótico, não pode mais ignorar a lógica da engenharia de tráfego moderna.


A pergunta que fica para os gestores da capital é: continuaremos assistindo ao colapso das vias ou daremos o passo em direção à modernização necessária?



NOTA DO BLOG: O Fique Atento continua aberto ao debate e convida as autoridades de mobilidade e trânsito a apresentarem seus planos para o enfrentamento deste gargalo urbano.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Um olhar necessário sobre a causa animal em Belém


 

POR WILLIAM SILVA


Belém tem dado passos importantes no reconhecimento do direito dos animais. É inegável e louvável o esforço da Prefeitura de Belém, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do recém-fortalecido Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais (DPDA). A criação de políticas públicas voltadas à proteção e o funcionamento de equipamentos como o Hospital Veterinário Municipal Dr. Vahia são marcos que merecem aplausos.


Contudo, ao observarmos o cenário das nossas ruas, fica claro que o desafio ainda é monumental. Atualmente, o recolhimento de cães e gatos em vias públicas funciona de forma seletiva: atende-se quase exclusivamente animais envolvidos em agressões ou em estado terminal após atropelamentos.


Embora esse atendimento seja vital, ele ataca apenas o sintoma, não a doença. É, em termos práticos, como "enxugar gelo". Enquanto o controle for apenas reativo, as ruas continuarão sendo palco de reprodução descontrolada, fome e sofrimento.



MAIS QUE HUMANIDADE: UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA


Cuidar dos animais de rua não é apenas um ato de compaixão; é um dever legal e uma necessidade sanitária. A Lei Municipal nº 638, de 17 de setembro de 2018, é clara ao determinar a responsabilidade do Poder Executivo Municipal nesse campo. O controle de zoonoses e a segurança no trânsito (evitando atropelamentos que também vitimam humanos) dependem diretamente de uma gestão proativa da população animal.



NOSSA PROPOSTA: UM PACTO PELA PROTEÇÃO REAL


Para avançarmos, o blog Fique Atento sugere que a Prefeitura de Belém reforce sua infraestrutura para uma ação proativa e constante, baseada em três pilares fundamentais:


RECOLHIMENTO ATIVO E SISTEMATIZADO: Que o recolhimento de animais sem tutor (identificados pela ausência de coleira) seja uma rotina e não apenas uma resposta a tragédias.


FLUXO DE CUIDADO E CASTRAÇÃO: Uma vez recolhidos, esses animais devem ser encaminhados à Clínica Veterinária Municipal ou ao Hospital Dr. Vahia para tratamento imediato e, crucialmente, a castração, interrompendo o ciclo de abandono.


CONVÊNIOS ESTRUTURANTES COM ONGs: As instituições e protetores independentes, que hoje já sobrecarregam seus orçamentos para suprir a ausência de uma ajuda maior por parte do Poder Público, precisam de apoio formal. Propomos convênios que garantam o fornecimento de ração e aporte financeiro para a contratação de cuidadores, transformando esses abrigos em lares temporários dignos até a adoção definitiva.



INVESTIMENTO COM RETORNO GARANTIDO


À primeira vista, pode parecer um aumento de despesa. No entanto, a lógica econômica da gestão pública prova o contrário: a longo prazo, com a redução da proliferação de animais nas ruas, os custos com controle de doenças, acidentes de trânsito e até o volume de ração e cuidadores tendem a diminuir drasticamente. É o que chamamos de investimento em eficiência.


Belém tem a oportunidade de ser referência no Norte do Brasil em direitos animais. O DPDA tem a missão técnica; a prefeitura tem o dever legal. Falta agora o passo decisivo para que nenhum cão ou gato precise enfrentar, sozinho e sem amparo, as intempéries das nossas ruas.


Afinal, uma cidade que cuida dos seus animais é uma cidade que respeita a vida em todas as suas formas.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Estacionamentos públicos e revitalização urbana: Uma solução multifacetada para nossas cidades

POR WILLIAM SILVA

 

Nossas cidades crescem, e com elas, a frota de veículos. No centro urbano, a busca por uma vaga para estacionar tornou-se um desafio diário, gerando estresse, congestionamentos e infrações de trânsito. Paralelamente, encontramos em diversos bairros, especialmente nas áreas mais movimentadas, um cenário desolador: terrenos baldios e imóveis abandonados, que se transformam em depósitos de lixo, focos de doenças e elementos de degradação urbana. Mas e se pudéssemos transformar esses problemas em soluções integradas?


A proposta é simples e audaciosa: o Poder Público Municipal poderia converter imóveis em situação de abandono, principalmente terrenos baldios, em estacionamentos públicos, praças, bosques ou academias ao ar livre.



O PONTO DE PARTIDA: IDENTIFICAÇÃO E REGULARIZAÇÃO


O primeiro passo seria um levantamento criterioso dos imóveis em situação de abandono, verificando não apenas o estado de degradação, mas também a situação fiscal, especialmente o débito de IPTU. A legislação brasileira, por meio da desapropriação por interesse social ou por dívida ativa, já oferece mecanismos para que o poder público possa adquirir esses bens e dar-lhes uma função social. Diversos municípios já utilizam a desapropriação como ferramenta de planejamento urbano, e a jurisprudência é favorável a iniciativas que visem o bem-estar coletivo.



ESTACIONAMENTOS PÚBLICOS: MAIS DO QUE VAGAS





No caso específico dos estacionamentos públicos, as vantagens se multiplicam. Além de suprir a crescente demanda por vagas, a iniciativa contribuiria significativamente para a organização do trânsito, reduzindo o estacionamento irregular sobre calçadas e em fila dupla, que tanto prejudicam a mobilidade de pedestres e veículos.


Mas a visão vai além: seria uma oportunidade de humanizar a gestão desses espaços. A Prefeitura poderia implementar um sistema de cobrança justo, mas, principalmente, poderia criar uma ponte para a formalização dos "flanelinhas". Através da criação de cooperativas ou associações que os representem, esses trabalhadores poderiam ter acesso a direitos previdenciários e capacitação, transformando uma atividade informal em uma fonte de renda digna e regulamentada. Exemplos de programas de inclusão social em estacionamentos já existem em cidades como Curitiba (PR), com a gestão da Zona Azul, e em modelos europeus que valorizam a inserção social.



BENEFÍCIOS MULTIFACETADOS PARA A CIDADE


A implementação dessa proposta traria uma série de benefícios:


  • 1 - REVITALIZAÇÃO URBANA: Terrenos baldios e imóveis abandonados, antes focos de lixo e vetores de doenças, seriam transformados em espaços úteis e bem cuidados, contribuindo para a estética e a segurança da cidade.


  • 2 - MELHORIA DA SAÚDE PÚBLICA: A eliminação desses focos de descarte irregular de lixo reduz a proliferação de ratos, insetos e, consequentemente, de doenças como a dengue.


  • 3 - GERAÇÃO DE RENDA E INCLUSÃO SOCIAL: A formalização dos "flanelinhas" criaria empregos dignos, garantindo direitos e promovendo a inclusão de uma parcela da população em situação de vulnerabilidade.


  • 4 - AUMENTO DA ARRECADAÇÃO: Além da cobrança dos estacionamentos, a regularização dos imóveis, sob a ameaça de desapropriação, estimularia os proprietários a quitarem seus impostos, aumentando a arrecadação municipal.


  • 5 - ESTÍMULO À RESPONSABILIDADE SOCIAL DO PROPRIETÁRIO: A possibilidade de perder o imóvel por abandono ou dívida certamente despertaria a atenção dos proprietários negligentes, incentivando-os a manter seus bens em ordem e em conformidade com o Código de Postura do Município.


VIABILIDADE LEGAL E EXEMPLOS INSPIRADORES


Do ponto de vista legal, a proposta é plenamente viável. A Constituição Federal e o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) preveem a função social da propriedade e permitem a desapropriação por interesse social. Além disso, a Lei nº 13.465/2017, que trata da regularização fundiária urbana, também oferece instrumentos para o combate ao abandono de imóveis.


No Brasil, diversas cidades já implementaram soluções criativas para a questão do estacionamento e da revitalização urbana. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte possuem programas de gestão de estacionamentos que buscam otimizar o uso do espaço público. No exterior, exemplos como a requalificação urbana de Barcelona, que transformou áreas degradadas em espaços de convivência e mobilidade, e as iniciativas de Londres para a gestão inteligente de estacionamentos, demonstram a eficácia de abordagens integradas.


Transformar terrenos baldios em estacionamentos públicos, praças ou áreas de lazer é mais do que uma questão de mobilidade; é um investimento no futuro da cidade, na qualidade de vida de seus cidadãos e na promoção de um desenvolvimento urbano mais justo e sustentável. É hora de o Poder Público Municipal abraçar essa visão e construir cidades mais organizadas, inclusivas e saudáveis.