O colapso do espaço urbano: Por que Belém precisa de um Sistema de Estacionamento Inteligente?

A Região Metropolitana de Belém (RMB) caminha para um gargalo de mobilidade que exige mais do que simples obras de asfalto; exige gestão tecnológica e coragem política. Dados recentes do Detran-PA mostram que a frota do Estado fechou 2025 com expressivas 2,98 milhões de unidades. Desse total, quase 700 mil veículos circulam apenas na capital e arredores, com um crescimento anual de 6,7%.
O fenômeno é claro: houve uma migração em massa. Se há 15 anos os ônibus transportavam 1,2 milhão de passageiros diariamente na RMB, hoje esse número caiu para 850 mil. A população não diminuiu; ela apenas trocou o transporte coletivo pelo individual. Atualmente, automóveis e motos compõem mais de 90% da frota, geralmente transportando apenas uma pessoa: o condutor.
O DESAFIO DO CENTRO HISTÓRICO E ADMINISTRATIVO
Belém concentra a geração de empregos e serviços no setor terciário em suas áreas centrais. Contudo, o que vemos é uma escassez crítica de vagas. Em áreas onde funcionam órgãos como o Ministério Público, a ALEPA e o Tribunal de Justiça, a oferta de estacionamentos privados não supre sequer 5% da demanda.
O resultado? O espaço público acaba sendo "privatizado" de forma desordenada. Um veículo que estaciona às 7h e só sai às 17h retira a rotatividade necessária para o comércio e serviços. É nesse cenário que surge uma proposta técnica e viável, defendida pelo psicólogo Carlos Valente, especialista em Psicologia do Trânsito.
A SOLUÇÃO: TECNOLOGIA E INCLUSÃO SOCIAL
A proposta do Blog Fique Atento, endossada por especialistas, sugere a conversão de imóveis abandonados e terrenos baldios em estacionamentos públicos e áreas de convivência. Mas o projeto vai além da infraestrutura física.
Um estudo detalhado, idealizado originalmente em 2020 por Carlos Valente, prevê a criação de cerca de 8 mil vagas regulamentadas via licitação. O modelo, inspirado em Smart Cities (Cidades Inteligentes), utilizaria:
1 - MONITORAMENTO DIGITAL: Integração com Google Maps para visualização de vagas livres em tempo real.
2 - RESERVA VIA APLICATIVO: O motorista reserva a vaga, paga digitalmente e o totem físico no local sinaliza a ocupação.
3 - ROTATIVIDADE: O sistema impede que uma única pessoa ocupe a via pública o dia inteiro sem a devida contrapartida.
BRAÇO SOCIAL
O fator humano: Transformando o "flanelinha" em agente de gestão
Um dos pontos mais inovadores do projeto é o braço social. Em vez de marginalizar os guardadores de carro (os "flanelinhas"), a empresa licitada os absorveria para atuar na gestão e fiscalização, vinculados a uma associação específica. Eles deixariam de manusear dinheiro direto dos motoristas — o que aumenta a segurança — e passariam a integrar um sistema formal de trabalho.
POR QUE O PROJETO AINDA NÃO SAIU DO PAPEL?
Apesar de não gerar custos para o Município e ainda prever o repasse de um percentual da arrecadação para a Prefeitura, barreiras políticas e a resistência de grupos que controlam as ruas de forma informal impediram o avanço em gestões anteriores.
Em cidades como Curitiba e São Paulo, modelos de "Zona Azul Digital" já provaram que a organização do estacionamento reduz o trânsito em fila dupla e melhora a fluidez nas vias arteriais. Belém, com seu trânsito classificado como caótico, não pode mais ignorar a lógica da engenharia de tráfego moderna.
A pergunta que fica para os gestores da capital é: continuaremos assistindo ao colapso das vias ou daremos o passo em direção à modernização necessária?
NOTA DO BLOG: O Fique Atento continua aberto ao debate e convida as autoridades de mobilidade e trânsito a apresentarem seus planos para o enfrentamento deste gargalo urbano.
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